‘Ajuda que ultrapassa fronteiras’: bombeiros retornam a São Paulo após 16 dias de combate a incêndios no Amazonas

Equipe com 25 bombeiros militares atuou no combate a incêndios florestais em áreas de difícil acesso; comandante destacou os desafios da operação, ...

Por: Redação Fonte: Secom SP
27/10/2026 às 09h22
‘Ajuda que ultrapassa fronteiras’: bombeiros retornam a São Paulo após 16 dias de combate a incêndios no Amazonas
Foto: Reprodução/Secom SP

Após 16 dias de trabalho no combate a incêndios florestais no Amazonas, os 25 bombeiros militares de São Paulo retornaram para casa na noite de segunda-feira (26). A missão levou os profissionais a milhares de quilômetros de distância, em uma região de floresta densa, clima diferente e acesso difícil, onde o combate às chamas exigiu planejamento, preparo técnico e trabalho integrado com as equipes locais.

Durante a operação, os militares atuaram nos municípios de Caapiranga e Itacoatiara, com ações de combate direto ao fogo, reconhecimento das áreas atingidas e monitoramento de focos com drones equipados com câmeras térmicas. Com a estabilização da situação e sem necessidade de novo emprego da força-tarefa paulista, a equipe permaneceu de prontidão em Manaus até o encerramento da missão.

“Todo o ambiente é impactante para nós. A vegetação é diferente, a floresta, o clima e os locais onde fazemos o combate, muitas vezes distantes das regiões terrestres. Todos os dias, saíamos pela manhã para combater o fogo, e isso era algo surpreendente e desafiador”, contou o capitão Fábio Spacassassi, comandante da missão.

A atuação exigiu o uso de diferentes meios de deslocamento e equipamentos para enfrentar as condições da região. Além dos recursos para o combate às chamas, a equipe contou com drones, cisternas e sistemas de internet via satélite, que auxiliaram no reconhecimento das áreas, no planejamento das ações e na comunicação em locais afastados. Os bombeiros também dispunham de equipamentos para geração de energia e estrutura para permanecer em campo.

Em meio aos desafios, a missão também foi marcada por pequenos gestos de cuidado com a vida. No dia 15 de outubro, durante o deslocamento por uma área atingida pelo fogo, os bombeiros encontraram uma iguana aparentemente desidratada e ofereceram água ao animal. O momento foi registrado em imagens pela corporação.

Para o comandante do Corpo de Bombeiros de São Paulo, coronel Alexandre Boggi, essa missão reafirma o compromisso da corporação com a preservação da vida, do meio ambiente e do patrimônio. “Para nós, foi uma grande honra trabalhar junto com os nossos irmãos do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas nesta tarefa. Agradeço a cada um dos militares que integrou a nossa equipe pelo empenho e dedicação, bem como aos seus familiares, pelo apoio e compreensão durante o período em que estiveram afastados dos seus lares para cumprir o seu dever”, disse.

Experiência em missões dentro e fora do Brasil

A equipe integra o Grupo de Ações em Emergências e Desastres (Gaed), unidade especializada do Corpo de Bombeiros de São Paulo, criada em 2020 para atuar em ocorrências de grande complexidade. Ao longo dos anos, o grupo participou de missões em diferentes regiões do Brasil e no exterior, incluindo as enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024, e os terremotos na Turquia, em 2023, e na Venezuela, em 2026.

Foto: Reprodução/Secom SP
Foto: Reprodução/Secom SP

Com 24 anos de carreira no Corpo de Bombeiros, seis deles dedicados à unidade especializada, Spacassassi afirmou que a possibilidade de ajudar pessoas em situações extremas foi um dos motivos que o levaram a escolher a profissão. Para ele, as missões fora de São Paulo ampliam esse propósito.

“Eu entendo que a gente entra no Corpo de Bombeiros porque gosta de ajudar, de estar presente naquele momento difícil. Essa vontade foi um dos motivos pelos quais me tornei bombeiro e conseguiu ir além, chegando a outros estados e países. A vontade de ajudar ultrapassa fronteiras”, pontuou.

O comandante também destacou o sentimento de orgulho ao concluir mais uma missão. Segundo ele, esse tipo de atuação, antes menos frequente em sua trajetória, tornou-se uma oportunidade de ampliar o alcance do trabalho da corporação e levar apoio a quem enfrenta situações de emergência. “Para mim, foi um orgulho poder continuar fazendo esse trabalho na Floresta Amazônica. É um orgulho saber que estamos no caminho certo”, concluiu.

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